Quando sentimos dor física, nossa reação imediata é nos afastar da causa do incômodo. No universo emocional, tentamos fazer a mesma coisa: quando surgem a tristeza, o medo ou a ansiedade, nos esforçamos para 'não pensar nisso', 'ser fortes' ou nos distrair a todo custo.
Mas você já reparou o que acontece quando tentamos desesperadamente não pensar em algo? O pensamento ganha o dobro de força. Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), esse fenômeno é conhecido como a armadilha do controle emocional.
A metáfora da bola na piscina
Tentar suprimir uma emoção difícil é semelhante a empurrar uma bola inflável para o fundo de uma piscina. Você precisa empregar força constante com os braços, fica impossibilitado de nadar ou aproveitar a água e, assim que você se descuida, a bola é arremessada para cima com intensidade violenta.
Quando paramos de empurrar a bola e simplesmente permitimos que ela flutue ao nosso lado, nossos braços ficam livres para nadar na direção que desejamos.
Acolher não é se conformar: é ter lucidez para agir
Aceitação psicológica não significa gostar do desconforto ou ser passivo diante dos problemas. Significa reconhecer a realidade do que estamos sentindo no presente sem entrar em guerra contra nós mesmos.
Ao fazer as pazes com a nossa humanidade e permitir que as emoções venham e vão como ondas, recuperamos a clareza e a energia necessárias para agir em prol do que realmente constrói uma vida com propósito.